• Marcelo Naudi

Elvis Presley no cinema

A concorrência que significou a florescente televisão para o cinema, obrigou à invenção de novas fórmulas que atraíssem a atenção do público e que não deixassem fugir nenhuma oportunidade, por pequena que fosse, de recrutar estrelas vindas de outros meios.


Antes de Elvis, alguns nomes como Frank Sinatra, Mario Lanza e Doris Day, já tinham demonstrado que a passagem de um cantor para o cinema não era impossível. No caso de Elvis, o cinema sempre foi mais um fim do que um meio. Seu sonho era chegar a ser um ator dramático reconhecido e começou a sua carreira de cantos como uma maneira de atingir essa meta. Quando, a 1 de abril de 1956, realizou umas provas para os estúdios Paramount, ele próprio qualificou de “sonho feito realidade” o fato de poder participar junto a Burt Lancaster e Katherine Hepburn na adaptação de The Rainmaker, cuja filmagem começaria em junho daquele ano. Mais uma vez, a influência do Coronel Parker frustrou o projeto escolhendo para sua interpretação personagens nos quais forçosamente teria que cantar.


A estreia de Elvis no cinema foi em Love Me Tender, um filme da 20th Century Fox, dirigido pelo misterioso Robert D. Wedd e ambientado nos últimos dias da guerra civil. Elvis interpretava a um dos dois irmãos Reno que morre no final querendo salvar a vida do irmão, o mesmo que no início tinha tentado assassinar.


Os recursos melodramáticos da historia não conseguiram provocar nenhum entusiasmo, porém Elvis e a sua balada “Love me Tender” compensaram-no amplamente, até o ponto que após as primeiras projeções, tiveram que rodar um novo final no qual seu personagem continuava a viver.

No longa-metragem seguintes, o quase biográfico Lovin You (1957), Elvis já tinha virado uma estrela, e de quatro canções passou para sete, mudança que certamente agradaram os fãs, que conseguiram identificar os pais do seu ídolo como extras numa do filme. Qualquer recorde anterior foi desmanchado com Jailhouse Rock, o seu primeiro filme para Metro-Goldwyn-Mayer, também rodado em 1957. As virtudes dos técnicos dos estúdios e a nível profissional do diretor Richard Thorpe lograram levar adiante um argumento impossível: um assassino por acaso converte-se numa estrela musical dentro da cadeia onde cumpre pena; é traído pelo seu companheiro de cela quem lhe fere as cordas vocais, porém uma intervenção providencial faz com que recobre a sua voz.


Além das canções de sempre, o sentido do espetáculo com o selo da Metro-Goldwyn-Mayer revelou-se numas imaginativas cenas coreográficas com fundo carcerário que, entre outras razões, justificaram a sua proibição na Espanha. A carreira de Elvis parecia andar de vento em popa e com o filme King Creole (1958), os críticos começaram a levar a sério o trabalho de Elvis como ator. O filme baseava-se no romance de Harold Robbins, A Stone for Danny Fischer, e Michael Curtiz encarregou-se de adapta-lo a tela. Elvis interpretava o papel de um estudante de bom coração que vê mudar o rumo de sua carreira ao aceitar trabalhos em clubes noturnos para ajudar seu pai que estava desempregado. O motivo da sua queda em desgraça é o beijo de agradecimento que lhe dá a amante de um terrível gangster. Carolyn Jones era a atriz que interpretava esse personagem e quase teve de se afastar perante a quantidade de cartas que chegaram aos estúdios pedindo para mandá-la embora por ser a causa de tantos quebra-cabeça ao bonachão de ElvIs.


Logo depois de finalizar o seu serviço militar Elvis estreou Flaming Star (1960), um faroeste de Don Siergel, e G.I. Blues, ousada exploração da imagem de Elvis como soldado. Enquanto em Flaming Star Elvis de superar-se a si próprio como ator, em GI.Blues entregou-se inteiramente nas canções que iam do sublime (Blues Suede Shoes) à vergonhosa (Wooden Heart).

Uma nova tentativa de resgatar Elvis como ator foi Wild in the Country (1061), no entanto, mais uma ve3z a escolha de um diretor inadequado, Philip Dune, malogrou o projeto, oferecendo um maçante melodrama que algum crítico renomeou o como "Tédio na plateia."

A partir de Feitiço Havaiano (Blue Hawai, 1961), de Norman Taurog, Elvis começou a sua produtiva época de ciclos de comédias triviais onde a única coisa importante eram as suas canções interpretadas num cenário exótico. Garotas! Garotas! E mais Garotas! (Girl, Girls, Girls! 1962), Seresteiro de Acapulco (Fun in Acapulco) 1963), It Happened at the Works Fair (1963), Girl Happy (1965), No Paraíso do Havaí (1966)...foram repetições da mesma fórmula nas quais as variáveis eram suas vistosas companheiras e a colaborações de atores prestigiosos. Kissin Cousin (1964), Roustabout (1964), Frank & Johnny (1966), Spinout (1966), Clambake (1967), Double Trouble (1967), Easy Come, Easy Go (1967), passaram a ser a desculpa perfeita para comercializar um disco com a trilha sonora, cuja qualidade baixava no mesmo ritmo que os próprios filmes. Viva las Vegas (1964) foi a exceção, dirigida por George Sidney um ano após ter levado à tela a cruel paródia do mito Presley Bye, bye, Birdie (1963). Ann-Margaret, que tinha sido a revelação deste filme defrontou-se ao verdadeiro Elvis Presley esbanjando uma sensualidade que soltava faíscas. O coronel Parker, assessor técnico de todos os filmes nos quais participava Presley, vetou a Ann-Margaret por eclipsar a sua estrela e os empolgantes projetos que ambos poderiam ter realizado juntos. Com a sua ressureição em 1968, Elvis tentou revitalizar sua carreira cinematográfica com Change of Habit (1969) e o faroeste Charro (1969), porém nenhum dos dois chegou a ter o sucesso dos documentários Elvis: That´s The Way It Is (1970) e Elvis on Tour (1972)


Após a morte de Elvis, a sua biografia foi o objeto de memorável série televisa Elvis (1979), dirigida por John Carter e interpretado por Kurt Russell, e que em muitos países levou-se em cinemas. Além disso, a sua música e iconografia foi utilizada de várias maneiras e com resultados diferentes em Out of the Blue (1980), Touched By To Elvis, With Love (1980), Desert Hearts (1985), Dear America: Letters Home From Vietnam (1987), Heartbreak Hotel (1988), Great Ball of Fire (1989), Mistery Train (1989), Wild at Heart (1990), e Forrest Gump (1994) uma panorâmica das últimas décadas no Estados Unidos.





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