• Marcelo Naudi

Allan Holdsworth - o mestre dos ligados

Seja Charlie Christian buscando inspiração no gigante do sax tenor Lester Young ou John McLaughlin capturando o espírito de John Coltrane - guitarristas de todos os estilos tem sido enfeitiçados pelas improvisações e complexidades tonais dos mestres do saxofone. Entretanto, a guitarra é muito diferente do sax. Alcançar uma sonoridade próxima à do saxofone usando uma peça de madeira com seis cordas é uma árdua tarefa. Guitarristas não empregam o fluxo de ar constante que saxofonistas usam para tocar com agilidade aquelas linhas que passeiam com leveza pelos compassos Além disso, tem a questão do timbre: músicos como Cannonball Adderley e Charlie Parker produziram sons expressivos e orgânicos, inimagináveis em outro instrumento.


Allan Holdsworth criou um fraseado e som semelhante ao dos saxofonistas, mas o mais impressionante é que ele conseguiu essa proeza utilizando Gibsons, Fender, Charvels, Steinbergers, amplificadores valvulados ou transistorizados. E, ao contrário do que muitos outros músicos que buscam sons suaves já bastante explorados, Holdsworth não utiliza o seguro artifício de plugar uma guitarra acústica num amp Polytone. Ele desenvolveu seus timbres semelhantes aos dos metais aplicando distorção - o que ele, a propósito odeia - e alavanca, evitando notas palhetadas.


Com determinação e força de vontade, Holdsworth criou uma das vozes de guitarra mais identificáveis da música moderna. Por isso ele é considerado uma estrela de primeira grandeza.


Fonte: Guitar Player, dez/2004.