? Marcelo de Castro - Índio (guitarrista) | Curso de Guitarra Online - Guitar Express

Marcelo de Castro - Índio (guitarrista)

Marcelo (Índio) - Necromancia

 

Marcelo Naudi - Quando você começou a estudar e qual foi a melhor maneira que encontrou para se desenvolver na guitarra?
Índio – Comecei meus estudos em 1984 estudando guitarra no Conservatório Carlos Gomes, depois fui estudar violão erudito. Após essa época, voltei os estudos na guitarra com o Cassinho, ele me deu uma formação musical muito boa. Aprendi com ele a ler partitura, harmonia, improvisação, rítmica e meus primeiros Standards de Jazz. O primeiro Standard, lembro muito bem, foi Take Five (Paul Desmond) e ninguém conhecia essa técnica no Brasil (pelo menos eu não conhecia ninguém). Então o que eu fiz foi estudar por minha conta essa nova técnica na guitarra, eu comprava as revistas Guitar Player americanas, pois na época ainda não existia a nacional, onde eu conseguia algumas informações. Além disso, adquiri algumas vídeo aulas e comecei a ter um destaque na região. A partir daí, comecei a dar as minhas aulas, isso em 1986.
Nessa época, curtia muito os guitarristas Steve Vai, Eddie Van Halen, Malmsteen e Satriani. Depois comecei a tocar outros gêneros musicais como chorinho, Jazz, Bossa, Blues...
Foi quando também estudei com o Pollaco, Faiska, Mozart Mello, Álvaro e Paulo de Tarso.

Marcelo Naudi - Quais eram suas influências e o que te motivou a se tornar músico?
Índio – A música está no meu DNA, venho de família de músicos. Meu avô era o grande músico da família, ele tocava violão, violão 7 cordas, banjo, tocava em cinema mudo e também ia para rádio tocar... apesar de ser muito diferente de hoje que a gente simplesmente leva um CD, faz entrevista e nem precisa tocar,  essa foi minha grande motivação para estudar música e  me tornar um músico.
Acho que minha maior influência foi a vontade de tocar como grandes guitarristas. Se eu citar alguns nomes acho que vão faltar alguns, sem contar grandes amigos da região que me ajudaram muito.

Marcelo Naudi - Alguém te apoiou e contribuiu para o seu desenvolvimento?
Índio – Minha família sempre me apoiou, tive também apoio de amigos na região também, amigos esses que não estavam ligados ao rock, mas que tinham grande experiência com música. Eles gostavam de me ver solando, aí eu tinha algumas figuras para trocar.

Marcelo Naudi - Qual é seu setup atual?
Índio - Quando toco com o Necromancia, eu uso um Marshall JCM 900, caixa Marshall , meu set de pedais são Noise Gate, Equalizer, Digital Delay DD5, Chorus Boss, para distortion, além do amplificador, uso PSA 1 da Sansamp e também o pedal Wah Wah da Dunlop Cry Baby.
As guitarras que uso são: Les Paul Studio, Ibanez custom made, Jackson JDR reformada pelo luthier Edmar Luighi, com nova escala e trastes Dunlop, captador Seymour Duncan modelo Kirk Hammet e alavanca Floyd Rose.
Quando toco com o Blue Light Blues Band, eu uso a Les Paul e uma Tagima com um braço feito pelo luthier  Donizetti de São Caetano, captadores Tex Mex da Fender. Uso amplificador Marshall 100w Valvestate, slide Dunlop e o Cry Baby Wah Wah.

Marcelo Naudi - Você utiliza o mesmo setup para gravações e shows? Se não, qual é o setup para as gravações?
Índio – Quase o mesmo, nas gravações do ultimo álbum Check Mate, gravei com amplificadores Mesa Boogie e para distorção o Tri Axis também da Mesa Boogie.
Hoje estamos terminando nosso novo álbum chamado Back from the dead, onde apesar de tanta tecnologia, procuramos o sistema de gravação análogo de 2 polegadas, a famosa fita de rolo. Como estamos nessa atmosfera vintage, nas gravações de guitarra usei 4 cabeças e 4 caixas Marshall, quis fazer uma parede de amplificadores para valorizar mais o som do ampli, sem nenhum plug in, foram 2 JCM 900, um JCM 800 e o modelo Kerry King, microfonados com shure 57 e AKG 414, usei também o POD XT da Line 6, pra aquecer mais o som no JCM 800. Pode ter certeza que tremeu tudo no estúdio e também ficou um set dos sonhos com um som maravilhoso, mas não levo tudo isso pro show.

Marcelo Naudi - Em que ano vocês montaram o Necromancia e como era o mercado musical na época? Quais foram os desafios?
Índio – O Necromancia começou em 84 e nem existia mercado para o Heavy Metal no Brasil, fomos os cobaias. Além de nós existia o Dorsal Atlântica, Korzus, Sepultura e era o começo do metal no Brasil. O desafio era poder tocar, pois não existiam casas de shows, apenas alguns bares. Na época o que nos ajudou muito foi fazer parte dos Headbangers ABC, que estavam em todos os shows no início e que nos valorizou muito na cena brasileira, o ABC tinha muito respeito na época.

Marcelo Naudi - Das bandas daquela época, o Necromancia conquistou bastante espaço. Como vocês conseguiram.... por quais caminhos trilharam?
Índio - Acho que por fazer parte da cena de metal do ABC, isso nos popularizou. Além disso, participamos da coletânea Headthrashers Live, junto com o Cova, Blasphemer e MX. Isso foi importante porque quem tinha vinil na década de 80, tinha grande destaque na mídia; diferente de hoje onde é comum as bandas terem um CD. Os shows que fazíamos eram bem calorosos e revistas como a Rock Brigade começaram a falar bem do nosso trabalho.

Marcelo Naudi - Em suas turnês, com que bandas já tocaram?
Índio – Tocamos com o Exodus, Nevermore, Krisiun, Korzus, Sepultura, Dorsal Atlântica, Hammerfall, etc.

Marcelo Naudi - O segundo álbum "Checkmate" foi produzido por Andreas Kisser do Sepultura e lançado na Europa. O que mudou na carreira de vocês após isso?
Índio – O Andreas abriu muitas portas. Além da grande contribuição musical no disco, ele também trouxe credibilidade para o Necromancia, o que fez com que a gente assinasse com a gravadora Mausoleum da Bélgica. O CD foi lançado na Europa, Canadá, Japão e Rússia.  Isso popularizou mais a gente no mercado do Metal, acho que preparamos o terreno para o próximo disco.

Marcelo Naudi - Vocês estão gravando um novo álbum entitulado "Back from the dead". Qual é a previsão de lançamento e quem está produzindo-o?
Índio – A previsão é pro primeiro semestre de 2011. Como em todos os discos anteriores, o Necromancia está participando das produções, nesse disco junto com o Cicero do estúdio Da Tribo.

Marcelo Naudi - Que sonoridade podemos esperar para este novo álbum. Ele seguirá a linha heavy metal de "Checkmate"?
Índio - Nesse disco acho que voltamos mais nas raízes dos anos 80, tanto na sonoridade quanto nas composições, além de regravar uma música nossa de 87 chamada Death Lust. Estamos muito contentes com o resultado do disco e o consideramos como o melhor trabalho do Necromancia. Depois te tantos anos, a banda nunca teve tão motivada e unida.

Marcelo Naudi - Quais são os projetos após o lançamento do cd?
Índio – Queremos por o pé na estrada e poder tocar tanto no Brasil quanto no exterior.

Marcelo Naudi - Além do Necromancia, você também trabalha como produtor, faz jingles e é professor há muitos anos. É difícil conciliar os trabalhos? Que dica você daria para quem quer "encarar" uma maratona de trabalho como esta?
Índio -
Para viver de música no Brasil a gente precisa se desdobrar; porém, faço tudo isso porque gosto. Adoro produção musical, softwares de música, estúdio e gosto muito de compor. Na grande maioria das vezes que pego o instrumento, sempre vem idéias na minha cabeça. Isso me traz uma facilidade com os Jingles. Já fiz jingle para o site da Volkswagen, fiz uma trilha para aquela série da HBO “The Pacific”, que foi um grande desafio, onde coloquei instrumentos de orquestra como Oboé, Clarinete, tímpanos, Cello, é claro que tudo virtual.
Gosto muito de dar aulas, pois permite que eu esteja sempre com o instrumento e é gratificante ver os alunos se desenvolvendo, o que para mim é o mais importante nas aulas.
Minha dica pra encarar essa maratona é trabalhar com alegria e com o coração. Vão ter momentos bons e momentos difíceis e no final, ficam os que têm grande afinidade com a música, o prazer de tocar jamais deve morrer.

Marcelo Naudi - Você dá aulas em seu home studio ou em escola? Você acha que há diferença no desenvolvimento do aluno entre fazer aula particular e fazer aula em uma escola?
Índio –
Eu dou aula no meu Home studio desde 86, e estava dando aulas na Usina Brasil escola de música e arte, onde fiquei 15 anos lecionando. Em 2010 quis focar mais no Necromancia, por isso deixei a escola, mas o período em que estive lá foi muito bom, pois fiz vários amigos: músicos e professores e pudemos trocar muitas experiências.
Acho que com um bom professor tanto faz se for em escola ou particular, também acho que depende mais do aluno do que do professor sua própria evolução. É bom conhecer outros professores desde que você tenha feito um bom curso com o seu professor atual.

Marcelo Naudi - Você utiliza um método próprio de ensino ou segue algum já concebido?
Índio –
Eu tenho minha própria metodologia, mas também uso vários métodos e vídeo-aulas em minhas aulas, programas de música, formação musical do aluno, estudo de Harmonia, improvisação, leitura, repertório, técnicas envolvendo todos os anos de existência da guitarra, mostro também para os alunos guitarristas que fazem parte da história da guitarra como Charlie Cristian, Django Heidhart, Wes Montgomery até os dias de hoje, como Mattias IA Eklundh.

Marcelo Naudi - Qual é a importância da tecnologia no aprendizado do aluno?
Índio –
A tecnologia é uma ferramenta muito importante no estudo, venho da época que quando eu queria tirar uma música, eu colocava o dedo no vinil para ficar mais lento, só que a música ficava mais grave e era muito difícil.  Hoje temos vários softwares que ajudam e muito como o Transcribe, que diminui a velocidade sem mudar o tom ou também se você quiser mudar a tonalidade, o Guitar Rig e o Amplitube também são muito bons, pois fazem o que o Trancribe faz e muito mais. O Band in a Box também é muito bom para improvisação, compor etc. Uso também o Cubase para fazer minhas gravações e quando quero escrever uma partitura, uso o Finale. Minhas lições escrevo no Guitar Pro, acho que o aluno aprende mais rápido.

Marcelo Naudi - Como professor, que conselho você daria a quem está iniciando os estudos?
Índio –
Paciência, dedicação, atitude, muita paciência e amor à música.
Ouçam bastante música, nós músicos ouvimos o que é bom para nossa formação musical.
Além da minha formação musical que tive, passei várias horas tocando junto com meus heróis da guitarra.


Entrevista realizada em fevereiro/2011.