? Affonso Jr. (guitarrista) | Curso de Guitarra Online - Guitar Express

Affonso Jr. (guitarrista)

Affonso Jr.

 


Marcelo Naudi - Que instrumentos você toca?
Affonso Jr. - Além da guitarra, toco um pouco de piano e bateria. Mas meu foco principal sempre foi a guitarra.

Marcelo Naudi - Que atividades você desenvolve como músico?
Affonso Jr. - Antigamente, além das aulas, eu trabalhava muito como sideman tocando e gravando como musico contratado, porém de uns 4 anos para cá tenho focado mais na área didática que é o que mais curto fazer. Fora isso escrevo colunas para uma revista especializada, faço workshops e tenho uma banda de som próprio.

Marcelo Naudi - Qual delas é sua principal fonte de renda?
Affonso Jr. - Com certeza as aulas, poderiam ser diferentes se eu não tivesse optado desta maneira, mas como disse, direcionei minha carreira totalmente para o lado didático.

Marcelo Naudi - Como foi o seu primeiro contato com a música?
Affonso Jr. - Meu pai e meu avô foram músicos, então desde pequeno tive esse contato dentro de casa. Meu pai tocava teclado e sanfona, e meu avô violão. Por volta dos 8 anos de idade comecei a me interessar muito por violão, e com a ajuda de um amigo do meu pai e do meu avô, aprendi os primeiros acordes e a primeira pentatônica (a primeira a gente nunca esquece!!!). Depois disso passei a estudar piano, mas confesso que não gostei muito, e após muita insistência, convenci meus pais de que queria aprender violão. Passei a freqüentar aulas de violão clássico em um conservatório, e por volta dos 15 anos, conheci a guitarra elétrica, aí o estrago foi feito!!!

Marcelo Naudi - Como era vista esta profissão no início e o quanto ela evoluiu?
Affonso Jr. - Acho que musico nunca foi considerado uma profissão, pelo menos muita gente pensa assim, possuem uma visão deturpada de que musico é vagabundo, etc. Porém poucas pessoas percebem o quanto temos de suar a camisa, estudando, praticando e tocando. Acho que hoje em dia pouca coisa mudou, os músicos e as escolas evoluíram, porém, a cabeça das pessoas ainda não. Muitos donos de bar ainda pagam o músico com uma coca e um hambúrguer, e ainda acham que estão fazendo muito. Mas a culpa, em minha opinião, é de músicos que se sujeitam a tocar de graça.

Marcelo Naudi - Seus ídolos de antes são os mesmos de hoje?
Affonso Jr. - Quando eu comecei a tocar guitarra meus ídolos eram Ace Frehley (Kiss) e Jake E Lee (Ozzy, Badlands). No Brasil gostava muito de Luiz Carlini (Que me fez trocar o violão pela guitarra), Wander Taffo e Robertinho de Recife. Hoje em dia curto outros tipos de música, e meus ídolos vão além da guitarra, mas jamais deixarei de curtir meus antigos ídolos, afinal, se não fossem eles, talvez hoje eu não fosse guitarrista.

Marcelo Naudi - Quando você começou a estudar sério?
Affonso Jr. - No começo eu tive certa dificuldade em encontrar bons professores, então tive que me virar como qualquer outro guitarrista da minha geração, ou seja, aprendíamos o básico nas escolas e ficávamos horas e horas em cima dos discos de vinil tirando tudo de ouvido. Qualquer material novo que conseguia , fosse uma apostila super mal-xerocada ou uma vídeo-aula que mal se enxergava, valia ouro!!! Naquela época não existiam os recursos e todo o material que temos hoje a nossa disposição, então qualquer coisa que aparecia era muito bem-vinda. Depois acabei indo estudar na Fundarte e no IG&T, aí comecei a estudar a música mais a fundo.

Marcelo Naudi - De que forma direcionou o seu estudo?
Affonso Jr. - Antigamente eu praticava de 8 a 10 horas por dia. No começo dava muita ênfase ao estudo de técnica e fraseado, mas com o tempo percebi o quão importante era o estudo de harmonia. Passei a dividir meu tempo em 4 partes: Técnica e fraseado, Harmonia e teoria, repertório, improvisação e composição. Também deixava um tempo disponível para solfejo e ditados rítmicos e melódicos que me ajudaram a desenvolver a percepção auditiva. Hoje já não tenho mais tanto tempo, umas 3 ou 4 horas por dia, então direciono este pouco tempo para improvisação e composição, pois acredito que dentro destes dois assuntos acabo praticando todo o resto.

Marcelo Naudi - Quais equipamentos você utilizava na época em que começou?
Affonso Jr. - Minha primeira guitarra foi uma Jennifer (afff!!!) que plugava em um super-overdrive da Boss e um combo da Giannini. Alguns anos depois consegui minha primeira guitarra decente, uma Giannini Stratosonic com captadores Fender.

Marcelo Naudi - Quando você começou a estudar, pensava em ser professor?
Affonso Jr. - Não, na verdade no começo o que eu queria mesmo era ser um guitarrista de rock, jamais me imaginaria dando aulas de guitarra.

Marcelo Naudi - E quando você passou a exercer a profissão que tem hoje?
Affonso Jr. - Por volta de 1987 comecei a estudar no primeiro IG&T, e tive meus primeiros contatos com o Mozart Mello, acho que a paixão que ele demonstrava quando dava aulas e a seriedade com a qual ele encarava esta profissão, de eterna dedicação e pesquisa, acabou me influenciando. Comecei então a ensinar alguns colegas de escola, vizinhos, amigos e quando percebi, já estava com vários alunos. Acabei gostando da experiência e comecei a procurar emprego em escolas de música.

Marcelo Naudi - Para conseguir exercer esta profissão, em que você precisou se aprimorar?
Affonso Jr. - No começo eu focava muito a parte técnica, velocidade, etc. Percebi que isso era somente uma ponta do iceberg, e que existiam muitos outros elementos tão importantes (Talvez até mais) do que tocar rápido. Comecei então a dar uma ênfase maior ao estudo da harmonia, arranjo e composição. Outra coisa que tive que me aprimorar foi em relação a outros estilos, pegada, repertório, e não somente rock. Passei a estudar Jazz, Fusion, música brasileira, etc.

Marcelo Naudi - Como é sua metodologia de ensino, é própria?
Affonso Jr. - Quando comecei a lecionar utilizava a metodologia do Mozart Mello mesclando com coisas da Berkeley e do Musicians Institute, e aos poucos fui montando o meu método próprio, mas é lógico, sempre tive uma enorme influência do Mozart, que inclusive me ajudou muito quando comecei a montar o meu método. Procuro sempre mostrar o porquê das coisas, a aplicação e o lado matemático do sistema estrutural. Acredito que somente assim os alunos conseguirão estabelecer uma ponte entre os assuntos estudados.

Marcelo Naudi - Quais são os meios de atuar como professor? (escola própria / escola terceiros / faculdade)
Affonso Jr. - Quando eu comecei a lecionar montei uma sala dentro da minha casa somente para isso, e assim que fui adquirindo experiência passei a lecionar em várias escolas até montar a minha própria. Tenho alguns colegas que ensinam em faculdades e conservatórios, alguns outros que trabalham pela prefeitura, mas nem sempre o salário compensa. Monetariamente falando, é melhor trabalhar por conta ou lecionar em uma escola já renomada, que possa oferecer um salário digno de um professor/músico competente.

Marcelo Naudi - Para ser um bom professor, o que é necessário?
Affonso Jr. - Conhecimento, estar sempre pesquisando novas fontes, paciência na hora de ensinar, afinal, nem todos os alunos tem facilidade em aprender. Sempre estar preparado para encontrar alunos dos mais diversos tipos, níveis musicais, sociais e culturais, estilos diferentes e aprender a respeitá-los e tratá-los decentemente é uma coisa básica para quem quer se aventurar nesta carreira. Acho que estes são os requisitos básicos para qualquer didata.

Marcelo Naudi - Para exercer esta profissão, é necessário alguma formação específica ou algum tipo de credencial?
Affonso Jr. - Infelizmente não, qualquer pessoa de qualquer nível musical pode dar aulas. Não existe nenhuma organização que fiscalize isso, o que faz com que o mercado fique lotado de péssimos profissionais disputando espaço com músicos de verdade, que estudaram e se dedicaram para poderem lecionar da forma correta. Esse é mais um motivo pelo qual esta profissão nem sempre é levada a sério pelas outras pessoas. Posso dizer que senti isso na pele quando comecei a tocar e meus primeiros “professores” só me enrolavam. É muito triste isso, saber que existem milhares de pessoas que sonham em tocar algum instrumento e acabam desistindo, pois encontraram um professor ruim no seu caminho.

Marcelo Naudi - Que equipamentos você utiliza hoje?
Affonso Jr. - Tenho uma guitarra Emanes RG550 com captação DiMarzio (Evolution e Paf Pro), uma Ibanez RG570 com captação Seymour Duncan (JB e 59), uma Tagima Custom (Ano 88) com corpo em mogno e captação Seymour Duncan (JB e Hot Rails). Amplificação Marshall JCM800, duas caixas Marshall 4X12. Tenho também um outro sistema que uso dependendo do tipo de som, que consiste em um pré-ampli Marshall JMP1, um Rocktron Intellifex para efeitos digitais e uma potência Carvin TS100. De pedais utilizo um Ibanez TS9, um MXR Dyna Comp e um Morley Bad Horsie.

Marcelo Naudi - Que conselho você daria para quem quer começar a seguir este caminho?
Affonso Jr. - Acho que o primeiro passo é se aprimorar no seu instrumento e prestar atenção como o seu professor ou outros didatas ensinam. É um trabalho de pesquisa e dedicação que farão uma enorme diferença lá na frente. O segundo passo é estar de bem com a vida, ter a alma limpa, livre de preconceitos, para que você possa tratar os seus alunos decentemente. Comece então a adquirir experiência ensinando seus amigos, vizinhos e até em algumas escolas pequenas, para que futuramente possa dar um passo maior e estar preparado para isso. É importante também estar constantemente estimulando o seu aluno a estudar e também o elogiando a cada meta alcançada. Tenho certeza de que trabalhando corretamente, não tem como dar errado.

 

Entrevista realizada em fevereiro/2010