? Claudio Rocha (baixista) | Curso de Guitarra Online - Guitar Express

Claudio Rocha (baixista)

Claudio Rocha


Marcelo Naudi - Como você se interessou em tocar um instrumento?
Claudio Rocha - Quando criança, comecei a ouvir discos do Kiss, AC/DC e Iron Maiden, e naturalmente queria tocar algum instrumento, ter uma banda, etc. Quando a oportunidade de tocar apareceu, vendi um videogame e comprei um baixo, já que a banda estava completa, só faltando um baixista. E foi assim que comecei

Marcelo Naudi - Como foi seu aprendizado do contrabaixo?
Claudio Rocha - Fiz 3 anos de aulas particulares com Beto Vasconcelos e Aldo Junior, o que me providenciou uma boa base teórica. Depois disso comecei a estudar qualquer livro que me caísse nas mãos, porque video-aula era um material raro na época. Também fiz um curso vinculado a ULM, com Itamar Colasso. O resto fui aprendendo nos bares, palcos e estúdios.

Marcelo Naudi - O que você achou essencial deste aprendizado e aconselharia aos estudantes?
Claudio Rocha - A disciplina do aprendizado é fundamental. Não adianta pegar aulas com o melhor professor do mundo se você não estuda regularmente, pensando que que aprende por osmose. Não existem atalhos nessa caminhada, e os melhores resultados são fruto direto do estudo e talento.

Marcelo Naudi - De quais trabalhos você participou?
Claudio Rocha - Como músico de estúdio, gravei discos de Claudia Leitte, Daniel, Leonardo, e Guilherme & Santiago, entre outros. Como sideman, acompanhei High School Music (Disney - Brasil), Leonardo, e Nathan Marques. Também fiz parte da banda do programa Ídolos em suas 5 temporadas na rede Record.

Marcelo Naudi - Atualmente, qual é sua rotina de trabalho?
Claudio Rocha - Em estúdio a rotina se resume a montar o equipamento, passar o som dos fones (sou adepto a gravar com o baterista na mesma sala, o vazamento da bateria nos fones me ajuda a sincronizar os instrumentos), e depois esperar o que vai acontecer. Algumas partituras são escritas nota por nota, mas a maioria é cifra e divisão rítmica. Hoje em dia é cada vez mais comum o arranjador chegar sem nada escrito, cabendo ao músico escrever sua própria cifra. Coisa dos tempos modernos, rs,
Se estou em show, a rotina é pegar avião ou ônibus, ir para o hotel e esperar a chamada para a passagem de som. Geralmente dá tempo de voltar para o hotel, jantar, e ir tocar, mas às vezes algo pode sair do script e o tempo ser muito curto. Aí, uma muda de roupa na mochila e espírito esportivo são essenciais.

Marcelo Naudi - Como é a vida no mundo musical e como sobreviver neste ramo tão disputado?
Claudio Rocha - O interessante do mundo musical é que você conhece muita gente, tem a chance de tocar estilos musicais variados e poder ganhar a vida daquilo que gosta de fazer. Entendo que sou idealista por ter optado viver da música, mas não tão radical ao ponto de só querer tocar um estilo, e de achar todos os outros ruins. Em todo estilo existe músicas boas e ruins, e procuro sempre "vestir" uma música da maneira mais adequada.
Apesar de existirem diferenças entre tocar em estúdio, acompanhar artistas, tocar em bandas de baile, dar aulas, na minha opinião existe uma palavra-chave para aquele que quer sobreviver nesse meio: respeito. Se o músico tem respeito por seus colegas de trabalho, produtores, arranjadores, artistas, e qualquer outro que esteja a sua volta, terá uma grande chance de cultivar bons relacionamentos. E ser bem relacionado é fundamental. Praticamente todos os trabalhos relevantes que peguei foram através de indicações de outros músicos que me conheciam, fiz audições caríssimas vezes. Então, saber cultivar bons relacionamentos no meio é algo muito importante. Obviamente, estar sempre preparado para o trabalho também é fundamental: leitura, timing, um bom instrumento sempre regulado e uma atitude positiva podem fazer toda a diferença.

Marcelo Naudi - Quais equipamentos você utiliza para gravação?
Claudio Rocha - Isso varia de trabalho para trabalho, mas geralmente levo para a gravação um rack com pré, compressor e equalizador, e alguns baixos: no mínimo um baixo de 5 cordas, um fretless e um baixolão. Mas geralmente levo mais coisas, porque prefiro errar por levar a mais do que a menos, não deixo a preguiça falar mais alto nessas ocasiões.

Marcelo Naudi - Do que você mais gosta nas gravações?
Claudio Rocha - O ambiente do estúdio é muito gostoso, o clima de estar criando algo é uma coisa maravilhosa. O mais legal a respeito de gravações é o fato de que uma grande parte das vezes você chega sem a mínima ideia do que vai acontecer, pode ser uma trabalho de rock, groove, MPB, sertanejo, etc, e a responsabilidade do músico é dar conta do recado, conhecer o estilo em questão, no que se refere a timbre, levadas, fraseados, e por aí vai. Isso me fascina.

Marcelo Naudi - Quando te convidam para participar de uma gravação, normalmente pedem que você reproduza a linha de baixo que já está escrito/planejado ou pedem que você mesmo elabore?
Claudio Rocha - Isso também varia de trabalho para trabalho. Já cheguei em gravações em que está tudo escrito, o arranjador precisa simplesmente de um par de mãos para executar aquilo que tem em mente. Em outras recebo algumas orientações, às vezes específicas, em outras genéricas, de como o baixo deve se comportar na música. E às vezes recebo carta branca para criar o que acho ser melhor para a música. Em qualquer das situações, o importante é não perder a postura de colaborador, procurar entender o gosto do seu cliente, e procurar ajudar da melhor maneira possível. Sempre penso que um cliente feliz tem grandes chances de chamá-lo para um próximo trabalho.

Marcelo Naudi - Quais são seus projetos futuros?
Claudio Rocha - Estamos tirando da fábrica o CD novo do Todos Por Um, banda composta pelo Maguinho Alcantara (bateria), Álvaro Gonçalves (guitarra), Lampadinha (técnico), e eu. O nome do CD é "Pedra no Sapato", e deve estar disponível para venda muito em breve. Além disso existem alguns projetos em andamento, como o Q2 Quartet, que está em fase de captação de recursos.

 

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