? Paulo Morgado (guitarrista) | Curso de Guitarra Online - Guitar Express

Paulo Morgado (guitarrista)

Paulo Morgado (guitarrista)

 


Marcelo Naudi - Entre os anos 80 e 90 você foi colaborador das revistas Audio&Tecnologia, Guitar Player, Tok pra quem toca e Backstage. O conteúdo técnico era diferente do que é hoje ou existe certa repetição?
Paulo Morgado - Nas décadas de 80 e 90, não tinha uma quantidade tão grande de informações que existe hoje, graças à Internet. Se você pesquisar um pouco, vai achar a mesma informação em blogs, youtube, fóruns, sites, revistas. etc... o conteúdo técnico era obviamente um pouco diferente. A abordagem era mais didática; hoje a preocupação é com a técnica, velocidade e com a obsessão de se tornar um “virtuose” da guitarra, sem se preocupar com os quesitos: feeling, criatividade, timbre, profundidade artística… com isso, existe sim uma repetição nas abordagens técnicas, patterns de escala em alta velocidade, arpegios, sweeps, tappings e isso tem produzido muitos e muitos guitarristas com o mesmo estilo, sem nenhum diferencial artístico.

Marcelo Naudi - Você fez aulas com Faísca, Mozart Melo e ministrou aulas formando vários guitarristas. O que mudou no ensino de guitarra?
Paulo Morgado - O ensino de qualquer coisa, depois de um tempo, acaba evoluindo, apesar disso, poucos gostam de “arriscar” e encontrar outros caminhos. Acho que acontece isso por uma exigência natural do mercado da música. A maneira que eu abordava os assuntos em aula há alguns anos atrás, mudou um pouco, preocupo-me muito se o aluno está realmente desenvolvendo o seu próprio estilo, se consegue entender a linguagem musical, se consegue compor, arranjar e improvisar; antes respeitávamos muito nossos mestres, a guitarra era um instrumento em “alta”... perdeu-se um pouco a idolatria pelo instrumento e pelos grandes gênios da guitarra. Hoje em dia as pessoas não ligam muito pra isso...existe um “bombardeio” de informações na Internet, difícil de filtrar e objetivar… as pessoas se acomodaram, gostam de tudo pronto…

Marcelo Naudi - Como você trilhou seu caminho até ser reconhecido como músico e professor?
Paulo Morgado - Olha… viver de música, em qualquer país deste mundo é ainda muito complicado, inclusive em países como o Brasil que não respeita o músico como um profissional sério e a classe musical é ainda muito desunida e pouco profissional. Para trilhar o meu caminho, tive que ser muito disciplinado, aplicado e profissional. Não adianta você tocar bem, ter equipamento, se não sabe “negociar” o seu trabalho. Música é uma arte e também uma “profissão”. Algum médico, engenheiro ou dentista deixa de cobrar? No mercado musical é muito frequente os profissionais envolvidos não se preocuparem com “contratos”, “logística”, “custos”, uma boa “comunicação”, “remuneração”, etc.… acho que os músicos devem deixar bem claro uma “política de relação profissional”… respeitarem e ser respeitados!!! Trabalho com aulas particulares, cursos de especialização, já fiz workshops, shows com bandas de Rock, Blues, Jazz, MPB… trabalhei como produtor… é preciso trabalhar muito mesmo!

Marcelo Naudi - Em quais projetos está trabalhando atualmente?
Paulo Morgado - Sempre gostei muito de compor e de estudar. Considero-me “um eterno aprendiz” e estou preparando um material para gravar com abordagem na guitarra elétrica, reunindo as minhas maiores influências, buscando um diferencial na “composição”. Para mim a composição é mais importante que o desenvolvimento técnico do instrumento. Tenho também um projeto “acústico”, incluindo composições próprias e releituras de clássicos da guitarra, com uma abordagem mais “violonística”. Por lecionar música já algum tempo, estou também organizando um material didático, que pretendo publicar em breve.

Marcelo Naudi - Que equipamentos utiliza?
Paulo Morgado - Não gosto muito de divulgar o meu equipamento, pois não tenho contrato de endorsee. E também não gosto de fazer propaganda de fabricantes e importadores que não respeitam muito o nosso trabalho. Enfim, tenho aqui uma pequena descrição do que uso atualmente:
- Guitarra Tagima Strato (sob encomenda) c/ captadores Seymour Duncan Alnico Pro.
- Gibson SG 1974 (modificada) c/ captadores Di Marzio Paf Pro.
- Guitarra Lotuz (sob encomenda) c/ captadores Seymour Duncan, Di Marzio, ponte Floyd Rose e tarrachas Gotoh. essa guitarra foi feita pelo “Ségis”… luthier amigo meu, que já se foi… ele foi também baixista do Inox… é uma guitarra que faço questão de divulgar, pois foi muito bem feita, e por um grande amigo meu…
- Violão Crafter (eletro acústico), violão corda de nylon Giannini.
- Amplificador Hughes & Kettner.
- Pedais: Wha Wha Dunlop Cry Baby “Jimi Hendrix Special”, Phaser Danelectro, Pro Co Rat Distortion, Dimention C Boss (chorus analógico que pode ser ligado em estéreo, produzindo um "efeito 3D”), DD3 Digital Delay Boss, afinador TU-8 Boss.

Marcelo Naudi - Você é ou já foi aficionado por equipamento?
Paulo Morgado - Nunca fui aficionado por equipamento. Acredito que o “som do guitarrista vem da alma”. Tenho o que acredito ser o necessário para se ter um som de qualidade e profissional. Conheço muita gente que tem uma verdadeira coleção e não toca absolutamente nada… acho até um desrespeito. Já tive racks de efeito, pedaleira midi, várias guitarras, etc… mas se você tem uma estrutura empresarial grande, participa de grandes eventos, possui engenheiros e técnicos de som, aí é uma outra coisa.

Marcelo Naudi - Você tem algum método para compor?
Paulo Morgado - Realmente não tenho uma metodologia definida pra compor, às vezes crio uma melodia e depois vou trabalhando as partes da música (base harmônica, arranjos, solos), às vezes faço uma progressão harmônica, depois tento encaixar uma melodia. As ideias podem surgir de uma “jam”, de um solo ou ritmo… posso ouvir uma música que gosto muito e me inspiro nela… o processo criativo é às vezes muito estranho, tem horas que as ideias não aparecem, outras jorram como água. Dependendo do dia, os acontecimentos neste mundo louco, servem também de inspiração, já compus com base em alguma história que me contaram, enfim…

Marcelo Naudi - Como você define seu estilo musical?
Paulo Morgado - Falar em estilo musical hoje é um tanto difícil, sempre fui um super fã de Rock. Nasci ouvindo Rock e cresci ouvindo o mesmo estilo. Com o passar do tempo fui conhecendo e curtindo também o Blues, o Jazz e o Fusion, a Música Clássica e também os estilos regionais de cada país como o Flamenco, a Música Indiana, Árabe, etc.… se você analisar bem, o Rock já é uma mistura de estilos… acho que me enquadro hoje mais na fusão de estilos, com uma abordagem e atitude Rock.

Marcelo Naudi - Qual é a sua visão do mercado musical?
Paulo Morgado - É um mercado ainda muito fechado e tendencioso, não muito profissional principalmente em países como o Brasil; apesar de ter um potencial muito promissor em termos mundiais. Acho que falta “coragem” dos artistas em arriscarem o que realmente gostariam de fazer, sem se importarem com as tendências de mercado e modas, Sinto falta dos movimentos culturais que aconteceram nos anos 60 e 70, onde bandas e artistas queriam mostrar seu trabalho sem se preocuparem em “ganhar dinheiro” e ficar “famosos”. Hoje em dia é tudo muito “engajado”, “calculado”, “comprado” e “pago”. A verdadeira arte não sobrevive a isso. Tudo é conseguido pelo poder econômico e o “sucesso” é “comprado”. Chamo isso de “covardia” e acho que o mundo hoje vive uma “entressafra” criativa… é muito mais fácil copiar, e reproduzir “formulas de sucesso”.

Marcelo Naudi - Como produtor, teria como você dar uma dica a quem está começando um trabalho próprio com a intenção de divulgar na mídia?
Paulo Morgado - Seja organizado, minucioso, correto, honesto e “principalmente” profissional! Não alimente expectativas… é muito, muito trabalho. Prepare o “bolso” que a brincadeira é séria… exija “contratos”, “prazos de pagamento”, “dias e datas definidas”; certifique-se que está tudo no lugar certo… atenção com “recebimentos” e “pagamentos”… certifique-se se o equipamento é de qualidade, enfim… lembre-se: você está vendendo um “produto” e ele deve ser bom… pelo menos agradar!!! E seja que Deus quiser… tenha fé!!!

 

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