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Alex Martinho (guitarrista)

Alex Martinho

 

Marcelo Naudi - Você sempre foi guitarrista?
Alex Martinho - Profissionalmente, sim. Até já fiz em alguns momentos específicos de minha vida um ou outro trabalho avulso em coisas como informática por exemplo (minha segunda paixão após a guitarra), mas foi muito pouco.

Marcelo Naudi - Você lembra-se do seu primeiro instrumento?
Alex Martinho - Meu primeiro instrumento na verdade foi um presente de natal que meu irmão Rodrigo ganhou em meados dos anos 80. Era uma guitarra muito simples, "ruim" mesmo. Prefiro não citar a marca, mas na época não era permitido oficialmente se importar instrumentos, logo a indústria nacional de guitarras era bastante primitiva e salvo raras exceções os instrumentos eram muito ruins. Meu irmão depois de pouco tempo deixou a guitarra de lado e eu me interessei em aprender. Depois que já sabia "arranhar" alguns acordes, ele se interessou em aprender bateria para tocarmos juntos - e tocamos juntos até hoje, ele me acompanha em minha banda instrumental.

Marcelo Naudi - Conte-nos um pouco sobre “as primeiras bandas”.
Alex Martinho - Por volta de 1986 montei minha primeira banda, com meu irmão e mais dois amigos da escola. Tocávamos quase que exclusivamente covers de rock nacional em um primeiro momento. Se chamava "Overdrive". Depois a banda foi mudando de formação e de estilo, e no começo dos anos 90 tocávamos covers de bandas internacionais como o Whitesnake, Bon Jovi e Van Halen, além de algumas músicas autorais. Em 1991 tive a oportunidade de ingressar no Musicians Institute (GIT - USA), e lá comecei a trabalhar em músicas instrumentais, o que é meu principal caminho até hoje.

Marcelo Naudi - Quais foram as suas primeiras influências?
Alex Martinho - Eddie Van Halen, Vinnie Moore, Joe Satriani e Yngwie Malsmsteen, além de bandas de rock clássico como Rush, Purple, Led e Pink Floyd.

Marcelo Naudi - Qual é a sua visão dos guitarristas atuais?
Alex Martinho - Hoje em dia tenho ouvido muito Andy Timmons e Joe Bonamassa, são os dois que não saem do meu player. Tem muita gente boa, muitos novos talentos surgindo também a cada dia na internet.

Marcelo Naudi - É possível conciliar interesses mercadológicos e artísticos?
Alex Martinho - Eu faço a música que eu quero, do meu jeito, com total liberdade artística, até por fazer música instrumental, que nunca teve um mercado grande mesmo. O melhor caminho é não se preocupar se vai vender ou não, fazer as coisas do jeito que quiser, e depois o que vier é lucro. Dessa maneira é muito mais verdadeiro o resultado final.

Marcelo Naudi - Existe algum novo artista inovando musicalmente?
Alex Martinho - Não são artistas exatamente "novos", mas o que eu curto ouvir atualmente um pouco mais "diferente" é Muse e Incubus, que buscam novas sonoridades de maneira bastante interessante.

Marcelo Naudi - Quais são as dificuldades de se tocar música instrumental no Brasil?
Alex Martinho - Falta de espaço para se apresentar ao vivo é a principal dificuldade. Fora isso, são as mesmas dificuldades de outros estilos musicais, ou seja, dificuldades na divulgação e pouca conscientização dos donos de casas noturnas na hora de valorizar os músicos - querem sempre te pagar muito menos do que você merece.

Marcelo Naudi - Que dicas você daria pros guitarristas que pensam em se tornar músicos profissionais?
Alex Martinho - Estudem ao máximo e com o auxílio de bons professores. Além de música e todas as suas disciplinas (técnica, teoria, harmonia...) tenham a melhor educação básica possível (no mínimo 2o grau completo), e estudem Inglês e informática. Tenham responsabilidade, sejam pontuais e educados, pois nessa profissão terão que lidar com ambientes fechados de pessoas, viagens, etc. e se não souber conviver bem em grupo terão poucas chances.

Marcelo Naudi - Conte-nos sobre como foi tocar com o falecido Celso Blues Boy.
Alex Martinho - Celso era um ídolo que eu tive na adolescência, fui a inúmeros shows dele. Por volta de 1998 recebi o convite para acompanhá-lo através do novo empresário dele, que conhecia meu trabalho. Fiquei na banda por pouco mais de um ano, e foi um período inesquecível, uma grande experiência, onde pude tocar para grandes públicos - muito maiores que em meus shows instrumentais - por todo o Brasil.

Marcelo Naudi - E os equipamentos? Conte-nos sobre o que você utiliza hoje em dia. Você esta sempre pesquisando timbres?
Alex Martinho - A busca pelo "timbre perfeito" é infinita! Acredito que todos os guitarristas estejam sempre pesquisando, em um grau maior ou menor. No momento meu equipamento principal são minhas guitarras N Zaganin, cabos Santo Angelo, cordas e pedais NIG e sempre procuro usar amplificadores valvulados, que me dão um som mais "quente" e poderoso.

Marcelo Naudi - Quais são as suas atividades musicais hoje em dia?
Alex Martinho - A principal atividade é a administração de minha escola, "Música Moderna", que fica na cidade de Niterói (RJ). Além disso, faço workshops por todo o Brasil com meu trabalho instrumental e shows com minha banda (mais no eixo RJ-SP, pelos custos maiores de viajar com a banda para outros lugares).

Marcelo Naudi - E os projetos, alguma novidade por aí?
Alex Martinho - Eu estou lançando no momento meu DVD "20 anos de estrada", que não prensei fisicamente, e sim estou disponibilizando gratuitamente para download através do meu site www.alexmartinho.com.br e do Youtube. Já estou de toda forma compondo e pré-produzindo mais material instrumental, para um futuro lançamento, possivelmente em 2014, de um novo CD.

Marcelo Naudi - Deixe-nos alguma mensagem para os futuros guitarristas que vão ler esta entrevista.
Alex Martinho - Foquem em seus objetivos e deem tudo na direção deles, com muito estudo, dedicação e amor. Tudo o que você investe de tempo e dedicação na vida, desde que feito com o coração, voltam para você de uma forma ou de outra no futuro. Plante agora e certamente colherá frutos no futuro.

 

Entrevista realizada em abril/2013.