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Márcio Okayama (guitarrista)

Márcio Okayama

 

Marcelo Naudi - Como foi o seu processo de aprendizado na guitarra?
Márcio Okayama - Tive algumas aulas de piano em casa com minha mãe quando era criança, que não vingaram...o interesse pela música e mais precisamente pela guitarra se deu anos depois, dada a boa e velha trilogia: Beatles, Kiss e Who. Comecei com um violão até tocar o básico e umas peças simples eruditas, então ganhei uma cópia de uma Les Paul da Gianinni dos anos oitenta que tenho até hoje.

Marcelo Naudi - Que tipo de música você ouvia quando começou a tocar guitarra e o que esta ouvindo atualmente?
Márcio Okayama - Rock, do dito clássico rock e um pouco a frente as bandas de metal que surgiam nos anos oitenta, inaugurando o trash metal. Atualmente, meu gosto é bem amplo...vai da musica erudita contemporânea que me fascina (Penderecki, Philip Glass, etc.), passando pelas bandas que ouvia em minha adolescência até a musica brasileira como um todo; na verdade qualquer coisa que me inspirar, der alegria: indo do Suba (lendário produtor Croata que chacoalhou o pop brasileiro) aos Ramones com o Nguyen Le (virtuose franco vietnamita) ensanduichado no meio basicamente...rs

Marcelo Naudi - Quando você começou a tocar profissionalmente, como foi?
Márcio Okayama - Foi uma consequência natural, fluiu de maneira orgânica. Após algumas apresentações em festivais escolares a galera começou a pedir aulas e logo que fiz dezoito anos já estava fazendo o circuito de cover paulista dos anos 80/90.

Marcelo Naudi - Você acredita que alguns guitarristas têm problemas em encontrar suas próprias linguagens porque estão preocupados demais por mostrar suas influências e técnicas?
Márcio Okayama - As pessoas tem medo de se arriscar, é um lugar recorrente no nosso meio; um antagonismo, levando em conta que a verdade da arte esta no risco e no apontar novos caminhos e meios de expressão. Fato é, que os grandes nomes de nossa história musical se firmaram por acreditar em suas próprias convicções estéticas e até mesmo ideológicas.

Marcelo Naudi - Você como a maioria dos guitarristas é ou já foi aficionado por equipamentos?
Márcio Okayama - Ah....meio calabresa, meio aliche...rs; colecionei alguns amplis e guitarras raras, meio por fetiche, meio por curtir o som; mas sempre tentei dar uma serventia para os mesmos, ou seja, uma peça de equipo tem de fazer parte da minha história pessoal, ter sido utilizada em determinado disco, show ou projeto musical pertinente. O outro lado é: tenho convicção que o som vem mesmo das mãos e da alma do guitarrista, a pegada é aquele fator que ninguém pode te ensinar (já falava o Wander Taffo). Sempre estudo (e recomendo para alunos) com poucos efeitos, guitarras simples e até mesmo com a guitarra desligada; ao vivo vejo que quanto mais simples o set up, melhor o resultado e logística de palco.

Marcelo Naudi - Quando você sola, você prefere improvisar ou criar com antecedência?
Márcio Okayama - A improvisação pode ser comparada com uma quadro pintado numa tacada só, como se fosse uma composição espontânea e tem sua beleza sendo analisado neste prisma; mas também é legal armar ou compor alguns solos, principalmente no caso de contextualizar sua guitarra dentro de uma banda.

Marcelo Naudi - Quando você compõe uma música, como funciona o seu processo de criação?
Márcio Okayama - Não tem regra; pode ser desde uma afinação maluca que inspira todo um som novo; uma ideia orquestral desenvolvida no computador, uma textura eletrônica ou um riff feroz na guitarra; todas são situações que levam a criação. O que que gostaria de ressaltar é que o processo de “esculpir” o artesanato, limpando arestas, refazendo partes, substituindo acordes e até mesmo rejeitando uma ideia inteira, é o que faz a diferença. Todos grandes compositores do Paul McCartney ao Pete Townshend, chegando ao João Bosco e ao Bach tem este critério estético rigoroso consigo mesmo; puro exercício de anulação de ego...rs

Marcelo Naudi - Como você equilibra o seu talento técnico com suas habilidades de composição?
Márcio Okayama - Ahhhh...valeu bro! Mas sempre achei que a técnica é mero veiculo, vide monstros como Allan Holdsworth, Jason Becker, Shawn Lane e Randy Rhoads, cujo virtuosismo chega a ser secundário em relação á beleza e poesia de seus sons. Tento me balizar por eles...pensar na música como quadro final é o principal.

Marcelo Naudi - Na sua opinião, a sensibilidade é algo natural ou pode ser adquirida ao longo do tempo?
Márcio Okayama - Claro que pode... a música nos torna seres humanos melhores! O músico, instrumentista e apaixonado pela arte tem uma ótica diferenciada da vida; os sons passam um “pente fino” do bem em nossas almas!

Marcelo Naudi - O que aprendeu com a música durante sua carreira?
Márcio Okayama - Cara....um de meus primeiros professores e mentores, o grande Michel Perie, falava que ser músico era quase um sacerdócio, para mim uma energia que te absorve de tal forma que é impossível pensar na vida como uma ótica não musical (no sentido mais elevado da palavra)...

Marcelo Naudi - Após todos estes anos de performance e composições de alto nível, o que o motiva a manter-se como um guitarrista?
Márcio Okayama - Valeu de novo, bro....rs. Sempre a busca da onda perfeita, o desejo de crescer e explorar novos sons. Ser pertinente com sua obra sempre dentro do enfoque social que sua missão como músico/professor/produtor/instrumentista pode ser redundante para as pessoas.

Marcelo Naudi - Como produtor artístico, quais são os erros comuns que as bandas cometem no inicio que precipita o fim?
Márcio Okayama - De cara, diria que a dinâmica interna da banda, o relacionamento humano que apresenta seus problemas, que são clichês de nossa espécime...rs similar a namoros, casamentos, dinâmicas empresariais, etc. e tal. Dar uma alinhada nisto, praticando a boa e velha anulação de Ego. Outro é querer se adaptar ao mercado na ânsia de “acontecer” sendo que o segredo do sucesso é respeitar as sua essência; mantendo isso você vai achar seu publico, que pode ser pequeno ou grande, mas sempre será seu. Podemos tomar inúmeros exemplos, do Metallica aos Mamonas, até ao Lobão e bandas Indie que se mantem por anos no mercado....

Marcelo Naudi - Quais são as suas atividades musicais hoje em dia?
Márcio Okayama - Aulas que dou no EM&T e no meu estúdio particular, além de bandas que produzo.

Marcelo Naudi - E os projetos, alguma novidade por aí?
Márcio Okayama - Estou mandando para a máster meu projeto New Age Zen Garden que é uma sequencia do Cromato e devo estar no correr do ano finalizando meu próximo CD solo (Crônicas do Caos Anunciado). Além de estar produzindo uma nova série didática para a net e para ser lançada em DVD junto com novos livros didáticos. Estou também como produtor associado de uma produtora de áudio chamada Jacarandá.

Marcelo Naudi - Deixe alguma mensagem aos futuros guitarristas que vão ler esta entrevista. Obrigado Marcio!
Márcio Okayama - Pensem na música acima de tudo, se aprimorem e tenham fé e consciência da sua função como músicos/artistas e educadores... deixem de lado a nóia com vaidades como arrumar endorsements, e adulações a toa....Como dizia Frank Zappa: Music is the Best! Deus abençoe a todos!

 

Entrevista em abril/2013.

Site: http://www.mokayama.com/