? Heraldo do Monte (guitarrista) | Curso de Guitarra Online - Guitar Express

Heraldo do Monte (guitarrista)

Heraldo do Monte 


Marcelo Naudi - Por que você decidiu seguir o caminho da música?
Heraldo do Monte - Eu não estava com idade de decidir nada, no curso básico de uma escola técnica, quando um maestro subiu no palco que tinha no pátio da escola e perguntou se alguém queria fazer parte da orquestra da escola. Meio sem saber por que, entrei na fila dos que queriam. Houve um teste, quem cantasse uma escala com a altura certa das notas, seria escolhido. Fui um deles.

Marcelo Naudi - Encontrou muitas dificuldades no principio?
Heraldo do Monte - Fui então clarinetista da orquestra, depois estudei sozinho em casa, por um método de clarinete, violão, cavaquinho, bandolim. Tocava chorinho com a turma do meu bairro, frevo no clarinete nas "troças" do meu bairro, só de farra, não queria ser profissional. Como não queria ser profissional, não tive dificuldades porque fui literalmente empurrado por um amigo para uma casa noturna, em Recife, com ordenado mensal.

Marcelo Naudi - Você ainda toca clarineta?
Heraldo do Monte - Não, não toco mais clarinete. (Ou clarineta, as duas grafias estão certas).

Marcelo Naudi - Quais foram as suas influências na guitarra?
Heraldo do Monte - Ouvi Tal Farlow e consegui um disco dele. Trabalhava com Walter Wanderley em um quarteto que tocava arranjos de um pianista inglês, o que me fez escutar a guitarra de Chuck Wayne. Paralelamente, escutava muito Jacob do Bandolim, Pixinguinha e Benedito Lacerda, Luiz Gonzaga...

Marcelo Naudi - Existe um disco seu predileto? Por quê?
Heraldo do Monte - São tantos... Mas sei que o disco do Quarteto Novo é o predileto de muita gente.

Marcelo Naudi - É possível conciliar interesses mercadológicos e artísticos?
Heraldo do Monte - Eu faço vários personagens: o forrozeiro, o rei do bolero, o refinado violeiro do ConSertão e do Quarteto Novo, não tenho problemas de mercado. Sou um operário.

Marcelo Naudi - Existe algum novo artista que você tem escutado atualmente?
Heraldo do Monte - Tenho escutado poucos guitarristas. Mais pianistas. Como o piano é um instrumento com poucas restrições técnicas, abre o horizonte para os guitarristas. Gonzalo, Brad e muitos outros...

Marcelo Naudi - O que você pensa sobre os músicos que têm obsessão pela figura do guitar hero?
Heraldo do Monte - Desde que o "Hero" seja eu... rsrsrs

Marcelo Naudi - Como um guitarrista com tanta experiência e uma linguagem tão apurada enxerga os guitarristas atuais?
Heraldo do Monte - Tem muita gente nova expandindo as possibilidades do instrumento, com certeza.

Marcelo Naudi - Conte-nos alguma passagem marcante nesta sua incrível jornada guitarrística.
Heraldo do Monte - Difícil escolher... Ser indicado para o Grammy Latino, ser elogiado por Joe Pass, ganhar o Roquette Pinto, ( com o Quarteto Novo) o premio da APCA, tocar com Michel Legrand...

Marcelo Naudi - E os equipamentos? O que você utiliza atualmente?
Heraldo do Monte - Como muitos guitarristas, fui viciado em chorus. Agora, só um DD3 da Boss e um pouco de reverb do amp.

Marcelo Naudi - Quais atividades você desenvolveu recentemente?
Heraldo do Monte - Participei um dia desses do cd do trompetista Jericó, participei do disco da Bia Goes, vou amanhã participar do lançamento do CD da Bia, tenho ótimos alunos e alguns projetos espalhados por aí, não por mim, mas por produtores... Fora as coisas que acontecem de repente. Hoje em dia digo muito não. Não consigo mais tocar em clubes noturnos que servem comida, já paguei esse carma, fico muito louco com as pessoas falando. Na verdade, esses lugares não deveriam ter música ao vivo, eu mesmo converso e dou risada, quando vou jantar num lugar desses. A culpa não é das pessoas, o músico é que precisa ter outras oportunidades. Toquei no show da Bia Goes, na Choperia do SESC, porque sabia que o público ia ser só de gente a fim de escutar música.

 

Marcelo Naudi - Deixe-nos alguma mensagem para os futuros guitarristas que vão ler esta entrevista.
Heraldo do Monte - Não sejam orgulhosos. A vida de um "Jazz chatinho" é muito dolorida. Vai de Sertanejo, Bolero, Funk, etc., e também Jazz, Bossa Nova, Erudito... Abraço, obrigado pela atenção!

 

Entrevista realizada em abril/2013.