? Sandro Albert (guitarrista) | Curso de Guitarra Online - Guitar Express

Sandro Albert (guitarrista)

Sandro Albert (Guitarrista)


 

Marcelo Naudi – Quando você foi para Los Angeles pela primeira vez, já estava com a intenção de construir sua carreira por lá?
Sandro Albert - Estava no Brasil em um momento de questionamento em relação a minha carreira, me sentindo estagnado com os mesmos trabalhos de sideman e com poucas perspectivas de desenvolver uma carreira solo, ainda mais pelo cenário da época que não permitia nenhuma forma de expressão neste sentido, me refiro a música instrumental, Jazz etc... Resolvi mudar para Los Angeles para me estimular novamente, estudar, ter acesso a bons livros e quem sabe novas oportunidades na música.

Marcelo Naudi – Como foi a aceitação de um músico brasileiro?
Sandro Albert - Nunca tive problemas em relação a isto, só vantagens, o pessoal aqui do meio se amarra na nossa cultura e musicalidade. A gente desenvolve nossas carreiras no Brasil como clínicos gerais da musica, prontos para qualquer estilo. Temos que acordar um dia samba, um dia Blues, outro sertanejo, rock etc... e resolver o gosto do cliente nas mais diferenciadas situações. Acho que esta versatilidade me ajudou aqui e me ajuda até hoje, foi um ponto relevante na minha aceitação nos EUA, ser versátil.

Marcelo Naudi – Como você desenvolveu sua carreira como guitarrista de jazz?
Sandro Albert - Tocando constantemente em gigs que ofereciam esta oportunidade. Desenvolvendo um repertório vasto de Standards e transcrevendo muitos solos de caras relevantes na linguagem como, Miles, Coltrane, Grant Green, Lee Morgan, Jobim entre outros.

Marcelo Naudi – Que fatos marcaram sua carreira?
Sandro Albert - Alguns foram muito marcantes e importantes em minha vida aqui, como ter entrado para o grupo WAR em 1997 onde permaneci dois anos, ter gravado no meu primeiro disco tendo a participação de alguns de meus ídolos do Jazz e da música como Peter Erskine, Kenny Garret, Jimmy Haslip e Milton Nascimento, e por último o meu show no North Sea Jazz Festival que é o maior festival de Jazz do mundo onde toquei com o pessoal do Yellow Jackets me acompanhando. São vários os momentos e todos tiveram a sua importância. O fato de ter lecionado por quase cinco anos no MI (GIT) em Los Angeles como professor de guitarra também me marcou muito, pois sempre quis ter estudado lá e nunca tive o dinheiro na época que morava no Brasil e ter me tornado professor lá sem nunca ter sido estudante foi até engraçado, mas muito legal e marcante em minha vida.

Marcelo Naudi – Que equipamentos utiliza em suas apresentações?
Sandro Albert - Já usei e testei de tudo, mas hoje em dia uso um amp Walter Woods com uma caixa Leonardos ou Raezers Edge, Um pedal Lee Jackson de reverb, um booster RC da Exoctic e um DD3 Boss para delay. Uma guitarra Sadowsky LS 17 e uma Sadowsky Semi Hallow.

Marcelo Naudi – Quando você começou, o que o despertou para o jazz?
Sandro Albert - Sempre gostei de música Instrumental. Aos 14 anos de idade um amigo me mostrou um disco do Wes Montgomery que mudou minha cabeça em relação ao instrumento. Até então eu tocava rock, Beatles, Led Zeppelin entre outros, o que curto até hoje, mas o som limpo da guitarra que ouvi daquela gravação e a concepção harmônica me agradaram demais e passei então a ouvir e me interessar mais pelo Jazz, Bossa Nova e a sonoridade mais limpa do instrumento.

Marcelo Naudi – Que trabalhos desenvolveu fora do país?
Sandro Albert - Toquei e gravei com o Grupo War, MIlton Nascimento, Airto Moreira, Flora Purim, Brenda Russell, Dionne Warwick, Rita Coolidge, Rod Stewart, Omar Hakin, Victor Bailey, Abraham Laboriel, Jimmy Haslip, Alphonso Johnson, Daryl Jones, Herb Alpert, Bill Charlap, Toninho Horta, Claudio Roditi, Russell Ferrante, Kenny Garrett, Harvey Mason, Peter Erskine, Antonio Sanchez, Terri Lyne Carrington, Vinnie Colaiuta, Luis Conte, Leon Ware, James Ingram, Robben Ford entre outros...

Marcelo Naudi – Qual é sua formação acadêmica?
Sandro Albert - Nenhuma, somente os livros que comprei aqui, discos que transcrevi e experiências vividas até hoje tocando ao vivo.

Marcelo Naudi – O que acha relevante no estudo do jazz?
Sandro Albert - Transcrições de músicas, metrônomo e os livros de George Van Epps Harmonic Structures volumes 1, 2 e 3.

Marcelo Naudi – Você já gravou com vários artistas de renome, conte-nos como foi esta experiência?
Sandro Albert - Gratificante foram todas estas experiências! Você aprende muito com elas e muitas vezes é a sua recompensa pelas horas de dedicação nesta profissão.

Marcelo Naudi – Que dica poderia dar para quem está começando os estudos?
Sandro Albert - Estude bastante, se dedique mas não se esqueça de que a vida não é feita só de música e que muitas vezes, a sua música é um reflexo de sua vida, então curta bem ela!

Marcelo Naudi – Quais são os próximos projetos?
Sandro Albert - Terminei a pouco um tour pelo Brasil e pela Califórnia. Estou trabalhando em meu quinto disco, que se chamará Groove Head e em outras produções locais aqui em NY. Em Março de 2013 faremos um tour de 15 shows pela Europa com meu quarteto.

 

Entrevista realizada em setembro/2012.