? Ivan Freitas - Music Maker | Curso de Guitarra Online - Guitar Express

Ivan Freitas - Music Maker

Ivan Freitas - Music Maker


Marcelo Naudi - Antes de se tornar luthier, você era músico?
Ivan - Eu tocava batera desde os 10 anos. Eu era baterista e mudamos para um apartamento quando eu tinha 13 anos. Aí os vizinhos começaram a reclamar do barulho, não conseguiam dormir. Então eu fui para o violão e daí, parti para guitarra. Eu comprei minha primeira Giannini, que era uma strato e uma Les Paul. O pai do meu vizinho que morava na cobertura era muito rico, então ele tinha uma Fender e uma Gibson e eu falava que merda, minha guitarra não afina! Eu subia lá e ficava irado, aí eu pensei, vou trocar as tarrachas da strato; eu comprei e troquei, ficou bem legal. Aos 17 anos eu comecei a trabalhar com meu pai, pegava o metrô da Vila Mariana até o escritório. No caminho tinha o Tiguez e o Ladessa, aí eu falei que troquei a tarracha e eles disseram que ficou legal... aí eu reclamei dos trastes, disseram que eram ruins e que eram muito baixos, eram fretless, eram horríveis os trastes e de fabricação nacional. Então eu mesmo troquei e até que ficou razoável. Aí eles me perguntaram se eu queria trabalhar lá. Eu fui, mas na sexta-feira anterior a minha entrada, eles brigaram e se separaram, aí eu fiquei com o Ladessa um tempo, e não deu muito certo, então eu fui para o Tiguez e fiquei tres anos lá. Até os 22 aí eu fundei a Music Maker.

Marcelo Naudi - Há quanto tempo que você trabalha como luthier e que materiais você tinha para o trabalho quando começou?
Ivan - Era muito terrível, para pintura a gente tinha Prime de carro, seladora e tudo demorava anos, era tudo na unha... eu brinco que até usava bombinha para abrir a cavidade dos captadores e tirar a madeira...a gente até brinca assim porque era no formão, era na furadeira; mas peguei uma bagagem, acho que foi a última geração que trabalhou nestas condições. Não tinha nada de ferramentas para luthier.

Marcelo Naudi - Há algum curso de luthieria? Você indicaria a alguém ou o início da carreira se dá trabalhando para um luthier?
Ivan - Existe. Tem um amigo meu, o Benedetti, que abriu uma escola de lutheria. Ele trabalhou comigo lá na Ladessa, era ele, eu e o Henri, nós trabalhavamos juntos. Hoje em dia é mais fácil, você tem procedimentos, tem ferramentas, tem tudo no segmento. Hoje em dia você pode comprar o corpo e o braço e você monta. Mas o negócio é o seguinte: luthier o pessoal acha que é regular guitarra e não é. Luthier é um artesão que fabrica instrumentos musicais, essa é a definição. Então um cara chega e vê alguém regulando uma guitarra e acha que é luthier, não é luthier. Estes são técnicos de guitarra, luthier é outra coisa.


Marcelo Naudi - Nas customizações ou na fabricação de guitarras, qual foi o pedido mais diferente?
Ivan - Eu fiz uma guitarra skate, para um cara de uma banda de hardcore. Era um skate, eu tirei o eixo da frente, coloquei um braço e coloquei a ponte e continuou com as duas rodinhas, então ele tocava e chegava perto do microfone, batia nas rodinhas e fazia um barulho. E a última que eu fiz legal foi uma guitarra para o Massacration, que foi uma guitarra que era uma vassoura.

Marcelo Naudi - Quais são os maiores desafios desta carreira?
Ivan - Todos. Você começa, todo mundo enche o saco se você atrasa, se você demora, é complicado neh... aí quando você fica famoso e atrasa, aí o pessoal fala ótimo, pode ficar mais um ano com a minha guitarra! Dinheiro não tem entendeu, como em qualquer profissão no começo é assim. Agora está acontecendo também com tatuador neh, todo mundo é tatuador assim como todo mundo é luthier, e não é luthier. Luthier tem que saber mexer numa máquina, tem que conhecer as madeiras. Tem até luthier conhecido que não fabrica guitarra, pega ela pronta, põe a marca deles e fala que foi ele quem fez, mas não faz, se pegar numa máquina mesmo, perde o dedo... nem sabe e não tem nem coragem de manusear a máquina.

Marcelo Naudi - Como foi sua entrada no mercado de instrumentos e a instituição da marca Music Maker?
Ivan - Eu idealizei desde os 17 anos quando eu tinha a Giannini, porque eu não me conformava de ter uma guitarra tão ruim e meu amigo ter uma guitarra tão boa. A dele era uma Fender da década de 70 e eu tinha uma Gianini da década de 70. Então eu falava: qual é a diferença entre fazer esta merda direito e fazer esta daqui. O trabalho é o mesmo, só que ficava tudo torto, sem noção. Eu não me conformava porque madeira no Brasil é muito boa. Então o meu ideal era fazer uma guitarra de nível, porque eu sempre imaginei que dava para fazer. O trabalho era o mesmo, era só ter feito reto, com uma espessura um pouco maior, com uns trastes um pouco melhor. As peças não eram tão ruim, porque na época a Gianini trabalhava com Gotoh.

Marcelo Naudi - Desde as primeiras guitarras, o que há de novo na produção da Music Maker?
Ivan - Tudo é diferente, porque você começa a investir em maquinário. Agora mesmo, estou mudando para um galpão e vou industrializar guitarras custom, setor industrial custom. Então o instrumento vai melhorar muito, principalmente o corte. E vou começar a fazer ferramentas e dispositivos, entendeu? Vai ficar melhor e vai melhorando, não tem limite. É lógico que tem uma hora que você começa a fabricar muito e a qualidade piora; você tem que ir passo a passo para não perder a qualidade.

Marcelo Naudi - Como você diferencia os instrumentos Music Maker em relação aos concorrentes da marca?
Ivan - Bom os únicos que fabricam guitarra no Brasil são 3: o DiCastellis o Zagannini e eu, o resto não faz nada. Não tem concorrente, de custom mesmo não tem. Se você leva em outros, eles vão trocar captador, trocar os botões, vão customizar o instrumento e não fabricar. Então não tem.

Marcelo Naudi - Quais músicos utilizam sua marca?
Ivan -Michel Leme, Djalma Lima, Alex Fornari, Roger Dias, o Marcio Alves, Kashima; tem um monte. Eu arrumo pro Titãs, Zeca Baleiro, Alceu Valença. Eu arrumei para o Roberto Carlos o violão dele para o centenário. Fui eu quem customizei.

Marcelo Naudi - E você pretende exportar suas guitarras?
Ivan - Eu tive propostas porque fiz a NAMM lá em Los Angeles, fui eu, o Edu o Djalma, o Michel e eu recebi propostas: vamos fazer na Córeia, na China, mas não é o foco entendeu? Senão, se for para fabricar na China eu prefiro vender a marca e falar “faz você!”. Então não é minha intenção exportar. A minha intenção é fazer de 30 a 40 guitarras por mês, custom. Que vai vender só em loja especializada e particular.

 

Veja abaixo uma entrevista efetuada pela JustTV:

Entrevista realizada em agosto/2012

Site oficial: http://www.musicmaker.com.br/